quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

notícia - bope ocupa favelas em macaé.



ônibus queimado no bairro aroeira

bairro malvinas


Pela primeira vez desde que foi criada, a tropa de elite da PM, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) ocupa comunidades fora da Região Metropolitana. Cinqüenta policiais da unidade chegaram na manhã desta quinta-feira à periferia de Macaé e, por volta das 14h30, ocuparam as comunidades Malvinas, Nova Holanda, Aroeira e Santanna. Estas são, segundo a PM, as áreas mais conflagradas. A ocupação é por período indeterminado.
Ações de terror do crime organizado nos últimos quatro dias levam medo e tensão aos moradores de Macaé. Desde segunda-feira, cinco ônibus foram incendiados por integrantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Os ataques seriam uma retaliação à morte de quatro traficantes em tiroteios com a Polícia Militar nas favelas Malvinas, Nova Holanda, Santanna e Aroeira. Os veículos estavam vazios e ninguém ficou ferido.
Para conter a onda de ataques, o policiamento na cidade foi reforçado por homens de batalhões da PM do interior. “Vamos aumentar o controle das rotas e continuar as operações. Temos apreendido drogas e armas pesadas. Dos quatro traficantes mortos, apenas um seria daqui. Dois foram enterrados no Rio e um continua no Instituto Médico-Legal para ser reconhecido. Isso comprova que Macaé está recebendo grande número de traficantes da capital”, alertou o coronel Alexandre Fontenelle, comandante do 32º BPM (Macaé).
Os atentados se assemelham aos ataques já realizados por quadrilhas no Rio e São Paulo. Como nas capitais, os criminosos de Macaé determinaram ontem o fechamento do comércio nessas comunidades e cortaram os cabos telefônicos de residências e lojas comerciais.
No Centro do município, uma onda de boatos sobre ordens para fechar o comércio causou pânico e correria. Cerca de 3 mil trabalhadores anteciparam a volta para casa com medo de novos ataques.

Quatro linhas mudam itinerário - Uma das estratégias da Prefeitura de Macaé e das forças de segurança do estado para conter os ataques a ônibus, praticados pelas quadrilhas de Roupinol, foi a alteração dos itinerários das linhas que passam pelas favelas controladas pelos traficantes. Desde as 16h de ontem, quatro rotas de ônibus foram alteradas sem data definida para voltar ao normal.
“A partir de agora, além da mudança dos itinerários, outras linhas de ônibus vão contar com a escolta da PM. Policiais fardados e à paisana estarão nos veículos,” disse o coordernador do Gabinete de Gestão Estratégica de Macaé, Edmilson Jório.
Moradores da cidade apóiam as medidas. “Prefiro andar a pé a ser mais uma vítima de um desses monstros. Não podemos deixar que eles queimem ônibus. Isso os fortalece. Não quero que minha cidade fique igual ao Rio”, afirmou um operário de 43 anos que há dez vive na Favela das Malvinas e prefere não se identificar. “Esses traficantes não são daqui e nos prejudicam porque sabem que sempre que possível conversamos com a polícia sobre o que eles estão fazendo. Não quero sair de casa todos os dias e encontrar um homem armado com fuzil me encarando como se eu fosse um bandido”, completou.





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